sexta-feira, 13 de maio de 2011

Conhecimento "a priori" e "a posteriori"

Em "A Crítica da Razão Pura" Immanuel Kant aborda alguns aspectos do conhecimento e os distingue, ainda que esta distinção seja feita "mediante uma longa prática que nos habilite a separar esses dois elementos." e os elementos do conhecimento a que Kant se refere são o "a priori" e "a posteriori".

Conhecimento "a priori" e "a posteriori"

Assim inicia Kant, "No tempo, pois, nenhum conhecimento precede a experiência, todos começam por ela." demonstrando que todo conhecimento inicia com a experiência, porém não é porque iniciou com a experiência que dela deve depender, pois "Consideraremos, portanto, conhecimento “a priori”, todo aquele que seja adquirido independentemente de qualquer experiência. A ele se opõem os opostos aos empíricos, isto é, àqueles que só o são “a posteriori”, quer dizer, por meio da experiência." Desta forma, o conhecimento "a priori" mesmo tendo origem na experiência, não é dependente dela, Kant aborda dizendo que "[...] daqui por diante, [...] conhecimento “a priori”, são todos aqueles que são absolutamente independentes da experiência; eles são opostos aos empíricos, isto é, àqueles que só são possíveis mediante a experiência."

Desta forma o conhecimento "a priori" faz parte da razão pura, e é universal e necessário, como por exemplo: O triângulo possui três lados." Esta frase nos faz entender que em qualquer lugar do universo e em qualquer circunstâncias o triângulo possui três lados, assim como: Todo solteiro é não casado; todo corpo possui massa, ou seja, são casos universais e necessários, sendo o que são em qualquer lugar.

Já o conhecimento "a posteriori" é contingente (pode ou não pode ser), pois depende do fenômeno empírico para ser o que é, dependente da experiência e dela é originado, enquanto o conhecimento "a priori" é originado na experiência, mas não dependente dela.

A separação entre estes dois conhecimentos, um "a priori" (originado na experiência, mas não dependente dela) e um "a posteriori" (que é a própria experiência agindo). "Surge desse modo uma questão que não se pode resolver à primeira vista: será possível um conhecimento independente da experiência e das impressões dos sentidos?"

Lembrando que os conhecimentos "a priori" e "a posteriori" servem apenas para conhecimento das coisas que estão no âmbito da física e não metafísica, e ainda que não podemos conhecer as coisas como são em si, mas apenas como aparecem para nós.

Fonte: KANT, Immanuel. A Crítica da Razão Pura. Introdução.

14 comentários:

  1. Senhores,
    Sensacional. Sensacional o trabalho de voces. Parabéns. Gostaria de manter contato.
    Participo de um grupo de leitura/discussão/produção de contos. Recentemente inauguramos nosso site e nele, tenho um "cantinho" chamado "filoconto". Pergunta: eu poderia utilizar de vosso "desenho/esquema" e explicacoes? O site é: www.contofagia.com.br. Senhores, independente de qualquer coisa, de novo, PARABÉNS!!!!Abraços Silvio

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  2. Senhores,
    desculpe...quando eu digo "utilizar", me refiro a usá-lo como ferramenta num artigo, numa explicacao, obviamente nao faria um "copiar/colar". Há tempos que bato cabeça com a crítica e espero que o artigo de voces me ajuda a levantar âncora nesta obra. Obrigado Silvio

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  3. Olá Silvio.

    Em primeiro lugar, obrigado pela sua avaliação do nosso blog. Este blog apresenta e registra o exercício de leitura da Crítica da Razão Pura. Muitas das definições postadas aqui ainda não comportam a precisão e o rigor kantiano. Mas, entendemos que este exercício é importante e o debate público é o caminho para a compreensão da obra. Estamos avançando na leitura do texto e pretendemos redefinir os conceitos com maior precisão quando terminarmos a obra. Por isso, caro Silvio, use tais definições (citando a fonte, quando for o caso), mas acredito que o mais importante é conversarmos sobre elas, refletindo se elas já estão de acordo com o texto kantiano.
    Eu visitei o seu site. Gostei muito do seu projeto. Nós ainda não temos como elaborar nada tão estruturado, mas um dia chegaremos lá. Amanhã, no nosso encontro semanal, farei uma divulgação do seu site.

    Forte abraço.

    Evandro

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  4. Olá Silvio! Da mesma forma que nosso professor msc. Evandro já expressou em sua "fala" o agradecimento necessário, também deixou claro que estamos compreendendo a obra "Crítica da Razão Pura", assim alguns conceitos ainda podem não estar completamente definidos, porém você pode sim fazer uso deles - citando a fonte - e podemos manter contato através dos e-mails do Coordenador Evandro e Monitor Rafael que estão na primeira postagem deste blog.

    Obrigado e entre em contato!

    Att. Rafael

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  5. Boa tarde Professor Evandro e Rafael,
    Eu que agradeço a gentileza em responder ao meu contato. Agradeço tb ao prof. ter citado o site que estamos "levando" (algo que comecou baseado no prazer tornou-se algo serio (ainda com prazer). Oxalá possamos contribuir com mais pessoas ao estímulo na busca do conhecimento como senso crítico. Amanha faremos uma "externa" num colégio. Mas voltando o motivo de eu retornar aqui é agradecer mais uma vez e externar o meu, digamos, dilema (para nao dizer incompetência). Eu havia me proposto a trabalhar seriamente na CRP, todavia, nao que eu a substimei, mas com certeza me enveredei em caminhos sem volta. Receio que desde as primeiras páginas. Comprei alguns guias inclusive. Eu desisti ao finalizar a primeira parte da Estética Transcendental (espaço e tempo) ao me fazer a pergunta: se Kant diz (logo no início da introd.) que "That all our knowledge begins with experience there can be no doubt.." ué, se sim, os sinteticos a priori INDEPENDEM da experiencia, certo? Nao entendo o "começam com a experiencia" e "independem da experiencia". Seria algo sobre serem pegos pela nao sensacao/intuicao (experiencia) e pensados pelo entendimento? Nossa...to confuso amigos. Parece uma âncora. Foi "apelando" por essa resposta que tive a grata surpresa de vos encontrar. Um grande abraço

    Silvio

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  6. Olá Silvio!

    A "Crítica da Razão Pura" é complexa a ao mesmo tempo fascinante, em relação à sua "desistência" ao ler a Estética Transcendental do Espaço e do Tempo, eu sei muito bem o que é isso. Geralmente as pessoas desistem porque o Kant no início de cada capítulo aborda diversos conceitos e os conceitos dos capítulos posteriores sempre são levados em conta o que foi abordado anteriormente.

    Mas ao entrar na obra e passar pela leva de "conceituações" kantianas, tudo fica mais "fácil" e agradável. Realmente a Estética Transcendental não é algo fácil de compreender, ainda mais a do Tempo, por isso ainda não foi postado no blog a ETT, enquanto a Lógica Transcendental já está postada em forma de imagem (para melhor visualização). Logo, logo postaremos a Estética Transcendental do Tempo e depois abordaremos melhor a Lógica em Kant.

    Quanto ao "começam com a experiência e dela não depende", os juízos "a priori" devem ser vistos da seguinte maneira: se originam na experiência, para reconhecimento do que há de puro em si mesmo (sensibilidade - espaço/tempo e entendimento - categorias), mas não dependem dela, pois já foi "descoberto" o que há de puro em nós e assim não é mais necessário a experiência para reconhecermos aquilo que faz parte de nós, as formas puras da sensibilidade (Estética Transcendental - espaço e tempo) e os conceitos puros do entendimento (Lógica Transcendental - categorias).

    Assim a experiência é como algo que nós, a partir da nossa razão, impomos a ela. E justamente por isso, não somos capazes de reconhecer a coisa em si, mas apenas os fenômenos como se dão para nós.

    É isso por enquanto...

    Abraços, Rafael.

    Se quiser entrar em contato por e-mail,
    Rafael - rhenrigb@hotmail.com
    Evandro - evandrobritobr@yahoo.com.br

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  7. VIVA O KANT OLÉ OLÉ

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  8. Conconrdo consigo Anônimo é mesmo caso para dizer "VIVA O KANT OLÉ OLÉ"t

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  9. É mesmo caso para concordar. Mas são 9h30, acho que vou voltar a dormir. Desculpe por lhe cortar as esperanças de ter uma conversa longa e ambiciosa comigo.

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  10. Va descansar para ter a cabeça fresca para amanha! os intelectuais necessitam muito sono

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  11. É essa também minha opinião. Acho que o sono é demasiado desprezado.

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  12. Obrigado, amei esse blog me ajudou muito ;)

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  13. Parabénsssssssssssss, ótimo trabalho, boa explicação!

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